Thursday, March 16, 2006

Em algum tempo ,no passado lá estava eu visitando o MUSEU DA AUDI na Alemanha quando deparei com um Auto Union 1000sp conversível branco com o estofamento vermelho e gamei.Tinha feito um voto de fé , de refazer a memória do DKW VEMAG aqui no Rio de Janeiro , e só desejar aquele alienígena tão bonito que era pecado, já me enchia de culpa;tinha que permanecer fiel a marca ,VEMAG.Mas como era sonho , devaneio , não tinha no Brasil nenhum para vender , logo seria esquecido e pronto.Acontece que o destino já tinha começado a conspirar e eu não sabia .Aquela viajem a Alemanha organizada pelo Eduardo seria aproveitada por ele para trazer o vidro dianteiro do 1000sp dele bem como as borrachas .Este fato já curioso no início, que agora recordando sua nuances ,vejo que - contra o destino perdemos todas!No dia marcado, chega o alemão com um vidro na mão, embalado apenas em plástico bolha e entrega para o Eduardo em mãos .Perguntei a herr Martin Hess como iria levar o vidro de 1,35x35 no avião, o que ele logo respondeu com aquele inglês arrevezado MUITA FÁZIL; ENFIA NO DETRAZ DA BANCA. Ponderei com o ilustre representante da sturmgewer que com um vidro de carro na mão ninguém sequer entrava no avião (era inclusive muito antes de 11/7), e que ele tinha por obrigação moral, já que tinha vendido o vidro, de nos ajudar a comprar o material para construir um caixote para o vidro ser embarcado para o Brasil como carga. A contragosto ajudou (o que acho que foi decisivo para consolidar nossa amizade Teuto-Niteroiense) levando-nos a uma loja de materiais de construção para comprar a madeira compensada e isopor. Voltamos para o hotel e 4 horas depois tínhamos uma réplica de um caixão de defunto tipo far-west que serviu a três propósitos;iniciou-me na arte da restauração de um1000sp, levou o vidro do Eduardo são e salvo e enterrou de vez a relação de amizade ou seja lá o que seria com o Hess( acho que ele é sobrinho do outro Martin., o Borman ). Passado algum tempo, lá ia eu tocando a minha vida tranqüila, entre um Belcar e um Candango às vezes uma Vemaguete quando, de propósito, sem nenhuma compaixão, movido pelo mais perverso sentimentos de amizade, o Carlos Zavataro me manda uma copia de um e-mail com os seguintes dizeres “olha Helio o peruano parece que desistiu de reformar o 1000sp, você não quer ficar com o carro?”- e anexou às fotos (2)- foi demais .Apos muita (dois minutos de) reflexão , lá estava eu , escrevendo para o GRANDE AMIGO FERNADO MURGA que , sem ter sido ainda o proprietário do DKW 1000 sp já tinha desistido dele (e ele morava a 400 km do carro).Eu que só estava a apenas a 14000 km , estava todo entusiasmado!Como dizia meu falecido sogro ,” é tem gente que já nasce bobo assim mesmo”.Comecei logo enchendo o saco do amigo peruano (É o que se diz por aí , vamos encher o saco dos amigos , porque os inimigos não deixam!) pedindo para ele comprar o carro em seu nome , para que me pudesse fazer uma proposta por escrito, para eu começar a papelada da importação legal conforme manda a lei brasileira (e como manda!) .Com a proposta na mão e xérox de anúncios que mostravam que era possível comprar na Alemanha um 1000sp por 500 dólares (imaginem o estado!) conseguimos do presidente da FIVA no Brasil o Sr. Aurélio (um baluarte no antigomobilismo no Brasil) a declaração que o automóvel era de importância histórica para o Brasil e partimos para o pedido para a guia de importação.Dinheiro enviado , guia de importação legal e coincidida na mão, agora é só programar a viagem de ida e volta - moleza!O plano era o seguinte ;como os impostos no Brasil são em cascata (e que cachoeira!) se eu viesse rebocando o carro , não pagaria nada de imposto sobre o transporte e ainda teria (que depois descobri que só serve para coisa trazida no aeroporto!) A VANTAGEM DE ABONAR U$500,00 por pessoa em bens adquiridos,do imposto final - ou seja não pagaria nada!(a nossa capacidade de inventar desculpas para si mesmo para consolidar uma maluquice é enorme). Grande negócio, então vamos fazer logo.Mas como sair daqui do Brasil e ir ali Arequipa no Peru apenas 14600 km ida e volta , passando por quatro paises- tem que ter para começar, companhia porque sozinho é um saco.Propus a um amigo que tinha uma Ranger diesel a empreitada , porem quando soubemos que para o lado de lá a Pick Up Ranger era mais roubavel do que no Brasil e que o seguro não cobriria, desistimos. Aí com o negócio do GNV , mais barato e, tendo no o gás no Brasil e na Argentina se fosse com o meu Omega 4.1, só gastaria gasolina no Chile e Peru que era mais barata!Mais um ponto a favor. Para rebocar o carro comprei um toolbar tipo de jipe e mandei fazer, com base no do Eduardo um adaptador para prender no chassi do 1000sp. Conversando com ele , me disse que conhecia bem o caminho até o Chile ( sul ,Uruguai,Argentina e Chile).Propus “BOCA-LIVRE” e ele topou.Calculamos que levaríamos 15 dias no total e me preparei de corpo e alma para a aventura e o resgate.Bom a aventura foi completa , já o resgate... Numa bela manha de dezembro parti para SP para pegar o Eduardo em casa; como só cheguei a tarde partimos no dia seguinte para o sul com a primeira parada na cidade de AnaRe depois de Curitiba. Pernoitamos e no dia seguinte seguimos para o Chui e depois Uruguai aonde ficaríamos na casa de um amigo Carlos Gardiol.Também pernoitamos na casa do ilustre dkvezeiro mentor do CIRCULO URUGUAYO DEL AUTO UNION; no dia seguinte pegamos um enorme aerobarco que levou-nos (carro e tudo em 3 horas) para Buenos Ayres.Lá conheci o Gustavo Bejega , aficionado e mola mestra do DKW na Argentina que, logo foi resolvendo um pequenino problema .É que o bico de abastecimento do gás na Argentina é mais largo , e ademais ¿hay un permiso¿que foi logo custando 50 dólares para certificar os cilindros de gás do Omega ( made in Argentina!).Partimos logo que as adaptações terminaram, em direção a Mendoza aonde pernoitaríamos .O combinado seria de ir o mais rápido possível , já que na volta estaríamos limitados pelo reboque e aí então se faria turismo , o que pudesse.Atravessamos a cordilheira entre Argentina e Chile e rumamos para o deserto de Atacama em direção a Antofogasta.Gente o deserto é ...assim...deserto;não tem nada ;nenhuma planta , capim , ser vivo - uma paisagem lunar .No inicio tudo é festa, mas 400 km de ¿nada ¿com a perspectiva de mais 800km iguais enche o saco de qualquer naturalista por mais aficionado que seja.De vez em quando um povoado de 4 casas ( de que eles vivem não sei!)não paramos em lugar nenhum só em dois postos de gasolina pois não ha. nada para se ver.Há uma tradição nesta estrada a Carretera Panamericana que é colocar cruzes ou altares em cada local que ocorreu acidente com morte . E haja cruz e altar, um a quase em todos os km, já que a estrada existe desde a década de 60 e como é só reta, a turma abusa. Eu mesmo quis ver como o Omega ia, e fazendo um peguinha com um Daewoo Espero , o deixei para trás a 200/hora (por pouco tempo) Mas o efeito psicológico dos enfeites fúnebres é deprimente.Outra coisa que eu descobri lá ,foi um produto que se pode chamar de GAZOLINA; é pura , sem álcool , 98 octanas-o Omega fez 12km/litro a 120 km /h (com ar ligado).Neste ponto foi uma enorme vantagem ,pois calculava eu fazer no máximo 8km/l.Chegamos a Antofogasta no cair da noite ; é uma cidade a beira mar muito bonita a despeito do nome.Talvez devido a isto Eduardo começasse a ficar cansado do ritmo e me acusou de aprendiz de Paris Dakar.Queria ficar lá por mais uns dias para descansar (a cidade é realmente bonita).Ponderei que iria quebrar o prazo e a gente pararia na volta sem problemas.Se queixava que não tinha mais posição para sentar ; gente não interprete mal a situação -o homem é macho ,paulistão quatrocentas que em função do desgaste natural da idade , já falta àquela gordura natural que nos protege o estofamento traseiro- (imediatamente cedi minha almofada de dirigir) e toquei os mais 800km que faltava para Arica no Chile.Chegando lá o meu entusiasmo era inversamente proporcional ao dele;estava cansado e me disse que precisava de dois dias para repousar; propôs-me que eu segui se para Arequipa no Peru , 400km adiante que ele me esperaria na volta quando eu rebocasse o carro para Arica no Chile.

No comments:

Post a Comment